
Entramos em silêncio, um chamado suave convida à entrega, e o corpo, aos poucos, repousa, tudo que era tensão se desfaz, o tempo desacelera, o espaço nos envolve com leveza, como se o próprio ar sussurrasse histórias antigas
A escuta se amplia, os sons, antes dispersos, ganham textura, sentir torna-se mais importante do que compreender, os pés se firmam, a respiração encontra seu ritmo, as mãos se abrem ao desconhecido
O movimento emerge sem intenção, não há forma a alcançar, apenas o fluxo que se revela no gesto, uma dança que brota de dentro, conduzida por algo que escapa aos olhos, o que guia não se vê, mas se reconhece, há uma escuta que nasce no corpo, no intervalo entre o passo e a pausa
No encontro com o outro, a confiança surge sem esforço, um gesto, um olhar calmo, uma presença que não precisa ser explicada, tudo se faz inteiro, os sentidos, desperto um a um, oferecem outra qualidade ao instante
E então, como quem encerra um ciclo sutil, algo se aproxima para acolher tudo o que foi vivido, um gesto final, simples e pleno, que convida à presença quieta, à reverência pelo instante, à gratidão por tudo o que, sem ser dito, foi sentido