
Uma arte interativa na qual a artista dialoga e compõe com o próprio espaço e com os espectadores. Fernanda Frota, terapeuta, multiartista, amante e estudiosa da cultura afro-brasileira, suas raízes, costumes e tradições, reencena uma parte da história que a própria história não conta.
Do visível e do invisível, ela traz o mito de Oduduwa, uma das divindades primordiais iorubás. Oduduwa representa a divinização da terra e é considerada, ao lado de Obatalá, que simboliza o céu, como o casal primordial e propulsor da criação. Na tradição africana, o universo é visto como uma grande cabaça, representada por Oduduwa e Obatalá. O nome Oduduwa pode ser traduzido como “a cabaça de onde jorrou a vida.”
A artista busca transmitir os conhecimentos de um instrumento místico, conduzida pelas mestras cabaças. Cabaça, cabeça, útero da terra. Multicoloridos, os agbês nos convidam a resgatar movimentos corporais em conexão com os elementos da natureza. Unindo elementos simbólicos e expressivos de tradições culturais à linguagem popular, mergulhamos em uma investigação e consciência do corpo.
Os instrumentos vivos — corpo e agbês — quando se encontram, fazem tudo balançar, fluir.